Na última sexta-feira (23), a moeda americana caiu 0,90%, cotada a R$ 4,9930. Já a bolsa brasileira subiu 0,47%, aos 205.083 pontos.
Bolsa de Valores aciona ‘circuit breaker’
O dólar opera em alta nesta segunda-feira (26), com um avanço de 9,29% perto das 12h, cotado a R$ 5,4568. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,6048.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve as negociações interrompidas por 30 minutos após registrar queda de mais de 10% nos primeiros minutos do pregão. Na retomada dos negócios, voltou com um recuo de mais de 17%. Perto das 12h, caía 15,81%, aos 172.669 pontos.
🔎 Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados.
O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. Entenda por que as eleições mexem tanto com o dólar e a bolsa.
- Veja como ficou a apuração final do 2º turno
- MAPA DA VIRADA:
▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história.
- Os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos.
▶️ Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar.
▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado.
- Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,35% perto das 12h, cotado a US$ 115,15. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha perdas de 2,25%, a US$ 100,95 o barril.
▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
- Acumulado da semana: -1,57%;
- Acumulado do mês: -3,50%;
- Acumulado do ano: -9,03%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -0,17%
- Acumulado do mês: +10,06%;
- Acumulado do ano: +27,28%.
Vitória de Lula muda projeções do mercado
A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
Com as fortes oscilações, a B3 acionou o circuit breaker e interrompeu as negociações do Ibovespa já nos primeiros minutos do pregão.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.
“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir um recuo de 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora.
Especificamente nesta segunda-feira, no entanto, a B3 anunciou um novo limite de 20% para que o mecanismo seja acionado pela segunda vez.
- Ações brasileiras caem no exterior
A vitória de Lula também já se reflete nas ações brasileiras negociadas no exterior. O EWZ, principal fundo que acompanha os papéis brasileiros, negociado em Nova York.
Na véspera, o fundo de índice já havia recuado mais de 19%.
- Mercados argentinos despencam após reeleição de Lula
Os ativos argentinos registravam uma forte queda nesta segunda-feira, acompanhando o recuo nos mercados de seu principal parceiro econômico, o Brasil, após a confirmação da reeleição de Lula. O MSCI Merval, índice de ações do país, caía 4,50% perto das 12h.
“O contágio desse clima de pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível e pode ser igualmente significativo […] num mundo que enfrentará sucessivas eleições importantes nos próximos meses — entre elas, em Israel, nos Estados Unidos e na França —, uma lição para os investidores volta a ser que toda previsão pode falhar”, disse o economista Gustavo Ber.
A Argentina realizará eleições presidenciais em 2027, nas quais o presidente Javier Milei buscará a reeleição.
- Risco de disputa na Justiça
Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, à Reuters.
Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado?
A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como “circuit breaker”, foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020.
Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais.
Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão:
- 1997 – Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.
- 1999 – Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.
- 2008 – Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.
- 2020 – Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira.
Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram:
- 24/04/2020: -5,45% após saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça;
- 28/10/2020: -4,25%, com aumento dos casos de Covid-19 e proximidade das eleições nos EUA;
- 22/02/2021: -4,87% após intervenção do governo de Jair Bolsonaro na Petrobras;
- 05/12/2025: -4,31% após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.
Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história
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Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026. — Foto: Arte/g1
Bolsas Globais
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em alta, conforme investidores repercutiam o pedido de IPO da Anthropic e seguiam em compasso de espera pela próxima reunião de juros do Fed.
Perto das 10h40, o Dow Jones subia 0,38%, enquanto o S&P 500 avançava 0,21% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 0,27%.
Na Europa, a maioria dos índices operava em alta nesta segunda-feira, também na expectativa pela próxima reunião de política monetária do BCE.
No mesmo horário, o DAX, da Alemanha, subia 0,99%, enquanto o CAC-40, da França, avançava 0,82% e o FTSE 100, do Reino Unido, subia 0,55%.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta segunda-feira, conforme investidores adotavam uma postura mais cautelosa diante de uma semana movimentada, marcada por importantes reuniões de bancos centrais.
O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,19%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,80% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,46%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve ganhos de 0,51%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
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