Dólar opera em alta com mercado atento a pressões de Trump sobre a Groenlândia; Ibovespa recua

Na véspera, a moeda americana encerrou em queda de 0,16%, cotada a R$ 5,3640. A bolsa avançou 0,03%, aos 164.849 pontos.

O dólar opera em alta nesta terça-feira (20), com avanço de 0,60% por volta das 11h30, cotado a R$ 5,3961. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,27%, aos 164.397 pontos.

As atenções dos investidores se voltam para um novo aumento das tensões entre Estados Unidos e Europa. Declarações recentes e eventos políticos reforçaram a cautela nos mercados, em meio a temores de retaliações comerciais e questionamentos institucionais.

▶️ As tensões comerciais entre EUA e Europa seguem no radar depois que líderes europeus classificaram como “inaceitáveis” as ameaças de tarifas feitas por Donald Trump. Países do bloco já avaliam possíveis contramedidas.

A França pressiona a União Europeia a acionar seu mecanismo mais duro de retaliação econômica, conhecido como Instrumento AnticoerçãoO movimento ocorre após Trump ameaçar impor tarifas a oito países europeus contrários à tentativa americana de ampliar o controle sobre a Groenlândia.

▶️ Além disso, investidores acompanham o início do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Trump deve discursar amanhã e afirmou que pretende se reunir com “diversas partes” para defender sua posição sobre a importância estratégica da ilha.

▶️ Nesta terça-feira, também está prevista a audiência da diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, após uma tentativa de demissão por parte de Trump. O caso é visto como um teste para a independência do banco central americano.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: -0,16%;
  • Acumulado do mês: -2,27%;
  • Acumulado do ano: -2,27%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,03%;
  • Acumulado do mês: +2,31%;
  • Acumulado do ano: +2,31%.

Tensão EUA-Europa

A tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de incorporar a Groenlândia ao território americano abriu uma frente inédita de tensão entre Washington e a União Europeia.

A ilha, localizada no Ártico e pertencente à Dinamarca, tornou-se o centro de um embate político que já provoca reações coordenadas entre países europeus, preocupados com possíveis desdobramentos diplomáticos e econômicos.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que esse tipo de estratégia não contribui para resolver disputas dentro de uma aliança e ressaltou que uma guerra tarifária não atende aos interesses de nenhuma das partes.

As críticas se estenderam a outros governos europeus. Ministros das Finanças que participaram de reuniões em Bruxelas falaram em decisões “irresponsáveis” e defenderam uma reação firme e coordenada do bloco.

A Alemanha, por sua vez, indicou que não aceitará chantagens e lembrou que a União Europeia dispõe de diferentes instrumentos de resposta.

Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron, enviou uma mensagem direta a Trump demonstrando perplexidade com a ofensiva contra a Groenlândia.

“Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia”, escreveu Macron.

A conversa, tornada pública pelo próprio presidente americano, antecedeu a convocação de uma reunião de emergência dos líderes europeus, marcada para quinta-feira (22), em Bruxelas. Macron também sugeriu um encontro do G7 em Paris, sinalizando a busca por uma saída diplomática para a crise.

Bolsas globais

O mercado em Wall Street começou o dia pressionado após a volta do feriado, reagindo à forte queda observada em outras regiões do mundo.

O movimento acontece depois de Donald Trump renovar as ameaças de novas tarifas contra oito países europeus, vinculando o fim das medidas à compra da Groenlândia — proposta rejeitada pelas autoridades da ilha e da Dinamarca.

A aversão ao risco aumentou, levando investidores a buscar proteção no ouro, que avançava 3,03% durante a manhã, cotado a US$ 4.734,55 por onça-troy.

Por volta das 9h (horário de Brasília), o Dow Jones futuro caía 1,5%, o S&P 500 futuro perdia 1,6% e o Nasdaq futuro recuava 2%.

Na Europa, os mercados acompanharam o tom negativo vindo do exterior, com as novas ameaças tarifárias dos EUA afetando diretamente o humor dos investidores.

Durante a manhã, o índice STOXX 600 recuava 1,4%, ampliando a perda de 1,2% registrada na segunda-feira.

Na França, o CAC 40 caía 1,2% para 8.014,42 pontos; na Alemanha, o DAX recuava 1,5% para 24.581,44 pontos; e no Reino Unido, o FTSE 100 tinha queda de 1,3% para 10.068,04 pontos.

Na Ásia, os mercados encerraram o dia pressionados por medidas mais firmes das autoridades reguladoras chinesas contra práticas consideradas abusivas.

No fechamento, os principais índices tiveram desempenho variado.

Em Xangai, o SSEC caiu 0,01% para 4.113 pontos, enquanto o CSI300 recuou 0,33% para 4.718 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,29% para 26.487 pontos.

No Japão, o Nikkei perdeu 1,1% para 52.988 pontos. Já o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 0,39% para 4.885 pontos. Em Taiwan, o Taiex subiu 0,38% para 31.759 pontos, e em Cingapura, o Straits Times recuou 0,23% para 4.823 pontos.

Dólar — Foto: freepik

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