Lua, Marte, turismo fora da Terra: veja o que esperar da nova corrida espacial

 

Uma disputa entre países pela primazia espacial se alia a um inusitado temor de um apocalipse na Terra para dar propulsão a uma nova corrida espacial. Mas não são apenas russos e americanos que protagonizam essa nova fase da exploração do espaço. Chineses e empresários bilionários entraram nessa batalha.

Veja o que esperar dessa nova era espacial:

A volta à Lua

Se depender dos planos da Nasa, os humanos voltarão a pisar na Lua em 2024, algo que não acontece desde de a Apollo 17, em dezembro de 1972.

A ousadia do programa Artemis, contudo, não está em uma simples nova visita. A agência espacial norte-americana espera desenvolver mecanismos para que, até 2028, a permanência de homens e mulheres ali se torne “sustentável”. Ou seja: que pessoas possam viver e trabalhar na superfície lunar por longos períodos de tempo.

Mas a resistência do Congresso e a falta de recursos se tornaram séria ameaça aos objetivos da agência. Na primeira corrida espacial, nos anos 1960 e 1970, a entidade chegou a contar com quase 5% do orçamento federal norte-americano. Hoje, menos de 1% (algo como US$ 20 bilhões) chega aos seus cofres. O mais provável, segundo especialistas, é que a Nasa só consiga aterrissar na Lua no fim da década.

Não bastasse o embate interno, os Estados Unidos têm outra preocupação: a China mostra força para desbancá-los do topo da exploração espacial. Os chineses já voltaram seus olhares à Lua. No ano passado, Pequim reafirmou os esforços para construir uma base lunar na parte sul do satélite até 2029 para executar pesquisas científicas. O país já tem feitos históricos na exploração: em janeiro de 2019, a sonda Chang’e-4 foi a primeira aeronave a pousar no lado oculto do satélite. Os chineses mostram fôlego na corrida, liderando, nos últimos anos, o lançamento de sondas para o espaço.

Na disputa pela Lua, a Rússia corre por fora. Os planos da agência espacial Roscosmos preveem missões tripuladas na década de 2030, também para construir uma base no local. Os especialistas, porém, questionam a capacidade financeira do país de bancar a empreitada.

Moradias em Marte

Nos próximos meses, Marte aparecerá como estrela do noticiário científico. Países vão aproveitar que a distância entre a Terra e o planeta vermelho chegará ao nível mínimo – “apenas” 54 milhões de quilômetros – para lançar em 2020 quatro missões robóticas. Estados Unidos, Europa, China e Emirados Árabes criaram as missões em busca de indícios de vida por lá.

Essas iniciativas preparam terreno para um projeto muito mais ousado: fazer com que os humanos pisem em Marte. Numa perspectiva otimista, especialistas acreditam que esse destino será possível até 2040. Os desafios são gigantescos: o planeta fica pelo menos 136 mais longe do que a Lua, o que exigiria foguetes ainda mais potentes do que temos hoje para levar as pessoas e a carga até o destino final. O pouso também seria complicado num ambiente frio, seco, cheio de poeira e de baixa pressão atmosférica. Sem falar nas dificuldades em lidar com a falta de oxigênio.

Mesmo diante de tanta dificuldade, não só são potências espaciais que têm plano em colocar humanos em Marte. Com o temor de que uma Terceira Guerra Mundial leve a Terra ao apocalipse, o empresário bilionário Elon Musk fala, diante do ceticismo da comunidade científica, em mandar 1 milhão de pessoas até 2050 em viagens que durariam meses e que sairiam de dois anos em dois anos, durante o alinhamento mais favorável entre Terra e Marte. Ele estima que uma passagem custará algo como R$ 850 mil.

Turismo espacial

Que tal fazer uma viagem pelo espaço? Pelas promessas do empresário Richard Branson, você poderá passear fora da Terra a partir de 2023. Mas precisará desembolsar muito dinheiro: a passagem, que já está à venda e teria atraído artistas de Hollywood, exige o desembolso de mais de R$ 1 milhão. Branson espera fazer uma viagem a cada 32 horas, o que daria quase 300 incursões anuais.

Se sua ansiedade for maior, a Nasa, com apoio da iniciativa privada, oferece uma oportunidade já para 2020. A agência quer permitir que empresas possam hospedar turistas na Estação Espacial Internacional. Mas o preço será muito mais salgado: algo como R$ 250 milhões por assento, além de uma diária de R$ 150 mil. A viagem terá duração máxima de 30 dias.


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